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Contexto

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) opera em Angola desde 15 de Maio de 1976. O escritório nacional da OMS é gerido por um Representante Residente internacional, nomeado pelo director regional para África com aprovação oficial do governo. O papel principal da OMS é garantir assistência técnica para melhorar a situação de saúde no país.

Três anos após o final da Guerra civil, em Abril de 2004, a OMS encontra-se seriamente empenhada em trabalhar de perto com Angola na melhoria dos seus indicadores de saúde, actualmente entre os piores do mundo. Presentemente apenas 44,5% da população se encontra coberta por serviços de saúde. A taxa de mortalidade materna no país está estimada em 1850/100,000 nados vivos. Em Luanda, a capital, apenas 62% das mulheres grávidas têm acesso a instalações de saúde. A taxa de mortalidade de menores de 5 anos está estimada em 250/1,000 nados vivos, o que significa que cerca de 181.000 crianças morrem cada ano.

O país encontra-se também vulnerável à ocorrência de epidemias. Devido aos deficientes sistemas de saneamento e abastecimento de água na presença de programas reduzidos e de fraca prevenção, incluindo fraca cobertura de imunização de rotina, Angola enfrentou nos últimos anos uma série de surtos: poliomielite em 1999, com um total de 1,117 crianças afectadas; meningite com 1,263 casos e 152 mortes até Outubro de 2002 e Marburgo com 318 mortes entre Outubro de 2004 e 19 de Julho de 2005.

A malária permanence como a principal causa de morbilidade, com 40% das crianças a morrer nos primeiros anos das suas vidas e um quarto da mortalidade materna associada a condições de malária. A taxa letal em hospitais permanece entre 15% e 20%. A malária é responsável por cerca de 80% da procura de cuidados de saúde e 50% dos doentes internados em serviços de saúde. De acordo com relatórios nacionais, as Doenças Respiratórias Agudas e Doenças Diarreicas são a segunda causa de morbilidade e mortalidade. Em conjunto, segundo a avaliação recentemente conduzida nas províncias pelo Ministério da Saúde e parceiros, as três doenças são responsáveis por aproximadamente 70% de todas as causas de morbilidade e 60% de todas as causas de mortalidade.

No que diz respeito ao controlo da Tuberculose (TB), o maior desafio é expandir a estratégia DOTS para tratar 85% de um total de 27,000 de doentes com TB registados no país.

Factores como a destruição massiva da rede de saúde, a deterioração das estruturas sócio-económicas, os grandes movimentos populacionais e a ameaça do VIH/SIDA estão todos na origem do agravamento do estado de saúde das pessoas em Angola. Alguns destes factores ajudam a explicar a fraca capacidade dos serviços para detectar e tratar outras doenças crónicas, incluindo a Lepra e Tripanossomíase. No entanto, o baixo nível de infecção de VIH (2,8% entre mulheres grávidas), o final da guerra e o forte empenho nacional e internacional colocado em Angola constituem factores positivos para alargar intervenções rápidas para conter a expansão do VIH/SIDA, tais como disseminação de informação, educação e medidas de prevenção da doença.

De acordo com dados oficiais, cerca de 65% das unidades de saúde foram destruídas durante a guerra, especialmente em áreas periféricas.

Nos últimos 10 anos, graças a um elevado nível de compromisso e uma parceira e coordenação muito forte, Angola alcançou resultados formidáveis no seu Programa Alargado de Imunização (Poliomielite, sarampo, tétano, etc). No que diz respeito à Poliomielite, por exemplo, Angola registou o último caso de vírus selvagem em Setembro de 2001 e, até à data, não foram registados novos casos. Tal ficou a dever-se ao forte compromisso político e liderança do Ministério da Saúde, boa organização por parte dos grupos de interesse nacionais tanto ao nível central como provincial e ao forte trabalho realizado pelos parceiros incluindo a OMS, UNICEF, Rotary International, USAID, CDC Atlanta, CORE, Reino Unido, Holanda e ONGs em geral.

Objectivos:

  • Reduzir as taxas de mortalidade, morbilidade e incapacidade devidas a doenças predominantes, especialmente entre crianças e mulheres grávidas;
  • Promover um ambiente e estilos de vida saudáveis para reduzir os riscos de saúde e melhorar os factores de saúde;
  • Desenvolver e fortalecer os sistemas nacionais de saúde;
  • Desenvolver um ambiente político e institucional favorável no sector da saúde e promover uma dimensão eficaz da saúde na política de desenvolvimento social, económica e ambiental;
  • Reforçar as Parcerias e a Mobilização de Recursos para o desenvolvimento da saúde.

Estratégias:

  • Reforçar a implementação de Programas de Saúde prioritários (Desenvolvimento de Sistemas de Saúde; Recursos Humanos; Prevenção e Controlo de Doenças Transmissíveis; Imunização e desenvolvimento de vacinas; Saúde Reprodutiva; Emergência e Acção Humanitária; Promoção da Saúde; Investigação de doenças transmissíveis; Segurança alimentar; Nutrição; Saúde e ambiente; Saúde de crianças e adolescentes; Medicamentos essenciais; Tecnologias essenciais de saúde; Políticas para saúde no desenvolvimento; Alerta epidémico e resposta; Preparação para emergências e resposta.)
  • Apoiar a reabilitação do sistema de saúde municipal de modo a melhorar a prestação de serviços de saúde de qualidade aos níveis nacional, provincial e municipal;
  • Reforçar as actividades de controlo e vigilância de VIH/SIDA para aumentar a consciência e para prevenir a propagação da doença;
  • Reforçar a advocacia no sentido da inclusão da saúde na agenda nacional para o desenvolvimento e no combate para a redução da pobreza;
  • Promover meios de subsistência sustentáveis, boa governação e descentralização.
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